sábado, 25 de abril de 2009

ARGEMIRO MARTINS CORREA

Foto abaixo: Argemiro,D. Rosa e a filha caçula Meimei.
Falar sobre Argemiro Martins Correa é muita responsabilidade. Afinal, ele era um mestre da arte de escrever e amava fazer isso. A sua aparência e fala serenas já demonstravam que ali estava um ser diferente, e muito mais diferente para nós, pobres mortais dos dias de hoje, quando tudo tem que ser agora, “num clique”, aproveitando o novo vocabulário que a informática nos impôs.
Como pai, Argemiro deve ter sido aquele que com poucas palavras dizia tudo, como eram as suas poesias, sem perder o controle, a serenidade comum e a autoridade sem ser autoritário.
Esse caxambuense só de nascimento não conseguiu se livrar os encantos de nossa terra para onde veio em busca de uma oportunidade ainda naqueles bons tempos de progresso da Estância.
Argemiro nasceu em Caxambu em 16 de Fevereiro de 1918, sob o signo de aquário e como dizem deve ter vivido além do tempo da sua existência. Filho de José Augusto Correa e Climene Martins Ribeiro, foi casado com Rosa Junqueira de Carvalho Correa com quem teve três filhos:
José Francisco, Eduardo e Eurydice Meimei de Carvalho Correa. Para esta filha o poeta buscou o primeiro nome da literatura grega que com certeza era uma das suas fontes de inspiração e acrescentou o segundo nome tirados das obras de Chico Xavier que era o seu ídolo e provavelmente o autor de seus livros de cabeceira, pelo bom “espírita cristão” que era.
Argemiro quando chegou à cidade se empregou na Prefeitura Municipal, onde depois de se destacar pelos bons serviços e dedicação acabou cedido à Coletoria Estadual, órgão que naquela época cuidava da arrecadação, tributação e fiscalização dos tributos do Estado de Minas Gerais.E, foi nessa repartição que ele se aposentou.
Aposentado não parou de trabalhar e nunca rejeitou trabalhos. Assim durante a sua vida foi garçom, alfaiate, servidor municipal, servidor estadual, provedor do hospital, presidente do sindicato dos empregados de hotéis e similares de Cambuquira, ocupação essa que lhe obrigou a participar de vários eventos da classe até no Rio de Janeiro. Alem de todas essas atribuições, como poeta, ele teve papel preponderante na disseminação da cultura em nossa cidade e região, quando idealizou e realizou diversos eventos literários como a
“Primeira Feira do Livro de Cambuquira, ideia essa copiada depois por outros municípios da região
Em nossa cidade ele fundou e dirigiu o jornal “A Fonte” onde outros personagens da nossa história, como Martha Antiério também divulgavam os seus trabalhos literários e as notícias da época.
“Queixume” e “Caminhos” são algumas das suas obras publicadas. A primeira dedicada à poesia e a segunda, um livro de prosas, além de pequenas publicações como “crespusculários”(1969) e do “I concurso de Trovas de Cambuquira”, também em 1969.
Infelizmente a cidade de hoje desprovida de vultos como Argemiro, Martha Antiério, Mário Azevedo e outros já não realiza quase nada na área da literatura, resultado talvez da falta de interesse por esse assuntos.

Para que a vontade desse grande homem que foi Argemiro Correia não se perca no tempo, cabe a nós resgatar a história, a poesia e as letras de uma forma geral e quem sabe nesses exemplos do passado conseguiremos despertar nas novas gerações um gosto pela arte que esses mestres de ontem, como ele, nos deixaram de legado.
Obrigado Argemiro por ter escolhido nossa cidade para ser a sua também e por te-la amado muito mais do que nós ainda não a conseguimos amar!...

Na foto ao lado, Argemiro, esposa e a caçula Meimei num evento literário acompanhando os ex-prefeitos André Bacha e Dr.Antônio Almeida Oliveira, alé de outras autoridades da época.



Nota: As informações e fotos foram enviadas por sua filha Meimei.


Para ilustrar, levamos ao conhecimento algumas gotas da imensa obra que ele deixou:

Saudosismo:

“ Quem que não sente saudade
Dos tempos que já viveu,
Quando com a felicidade
Andou e não percebeu!”


E, talvez com inspiração em Meimei, sua menina ainda pequena, ele escreveu:

Simplicidade

“Ao ver passar um enterro,
A minha filhinha exclama:
Olha, papai, quanta gente
Vai carregando uma cama!...”


E, às vezes era irônico sem ser grosseiro, como:

No cemitério

“Mui falou de todo mundo
Que ali no túmulo agora,
Tem o corpo lá no fundo
E a língua enorme de fora."


No livreto do I Concurso de Trovas de Cambuquira, Argemiro ainda deu espaço para outros poetas que dele participaram, de onde tiramos alguns trabalhos dedicados a esta Estância Hidromineral:

“Longos caminhos andei
Tendo sede e fonte em mira,
Mas finalmente encontrei
As águas de Cambuquira.”


José Antônio Nazaret
Lambari- mg

"Goze a vida com saúde,
Força total adquira;
Retarde o triste ataúde
Na Fone de Cambuquira..."


Armando Marques
Belo Horizone – mg

"Virgem Santa, Salvadora,
Em que o mundo se inspira,
Sede a fonte protetora
Das águas de Cambuquira."


Numa Viallet
Belo Horizonte- mg.

"Não há fonte mais famosa
Que beleza mais inspirar
Que a da urbe tão mimosa,
Nossa amada Cambuquira."


Irmão Abílio José
Varginha-mg.

"As fontes de Cambuquira,
Entre as mais belas do mundo,
À tona são de safira
E cristalina no fundo."


Orlando Woczikesky
Curitiba – pr.






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Um comentário:

Sylvio disse...

Quando, na década de 80, pensei em fazer um jornal para Cambuquira, procurei duas pessoas: Dª Marta e Argemiro Correia. Ele, além de tudo que está no blog, também foi o Redator Responsável pelo segundo mais longevo jornal cambuquirense: O Cambuquira. O "A Fonte", feito na década de 60 com Dª Marta, teve vida mais curta.
Ele foi uma inspiração para o início do jornal "Encontro - O Jornal de Cambuquira", o mais longevo jornal de nossa cidade querida.
Sylvio Britto