sábado, 30 de janeiro de 2010

Clemente Marques, um dos principais personagens dos 100 anos de Cambuquira.

Clemente Marques e Domingos Villar.

Clemente Marques* foi o responsável pelas obras da Igreja Matriz de Cambuquira, Três Corações e mais uma porção de prédios em nossa cidade além de outras no município vizinho.
Isso é o pouco que conhecemos dele além da história do seu trágico fim (pelas próprias) após ter sido responsabilizado por empresário tricordiano pelo aparecimento de algumas pequenas rachaduras no prédio construído.
Dizem as pessoas da época, que Clemente Marques ficou sabendo do caso pelo rádio e que aquele empresário e outras pessoas já se encaminhavam para Cambuquira. Se é que isso aconteceu, a informação que temos é que o encontraram já morto. E, para ironia do destino ou prova da sua competência, dizem que o citado prédio existe até hoje sem ter se desmoronado como alegavam os antigos donos que isso poderia acontecer.
Clemente injustiçado e esquecido pela história é, sem sombra de dúvidas, um dos grandes personagens que fizeram os 100 anos de nossa Estância.

* Clemente Marques é o mais alto com calças brancas, no meio Domingos Villar, antigo proprietário do Hotel Victória (Hotel Santos Dumont) e o terceiro ainda sem identificação.
** Fotos enviadas por Chiquinho Manes.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Benedicto Ferreira

Benedicto Ferreira (Com C, mesmo...ele fazia questão disso ). Nasceu em Cambuquira MG em 04 de dezembro de 1903. Descendente de avós portugueses legítimos, vindos da Província do Minho - Portugal. Viveu ainda no Rio de Janeiro desenvolvendo trabalhos administrativos com Prudente de Morais Filho. Conheceu Rui Barbosa.Tinha apenas o curso primário mas falava e escrevia fluentemente Português e o Francês (estudou na Aliance Francese no Rio de Janeiro). Era datilógrafo exímio,diplomado pelo colégio da Remington Rand, cujo teste final era de mecanografia (montar e desmontar máquinas de escrever complexas) e agilidade na datilografia. Viveu um tempo em Pernambuco, depois radicou-se definitivamente em Cambuquira – MG, exercendo vários cargos: gerente do Cambuquira Tênis Clube e Juiz de Paz (cargo este que tinha orgulho de exercer). Marcava quadrilhas e brincadeiras nas festas juninas. Sempre presente onde se fizesse necessário um relações públicas ou um apoio social. Era o Papai Noel oficial da cidade de Cambuquira onde, em todo Natal, saía pelas ruas para alegrar as crianças, distribuindo balas e presentes.Foi um dos fundadores do Teatro de Amadores de Cambuquira (TAC) juntamente com: Domy Manes Bastos, José Fonseca Filho, Eusébio Ferreira, Odete Borges, Ana Maria, Ramiro e Rubens Moreira Gil, José Maria Dias, Manoelzinho Prado, Antonio Carlos e Luiz Teixeira, Rosa Moreira Gil, Fernando Borges, Aparecida Oliveira, Maria Amélia Almeida e outros (folder de janeiro de 1960 no Salão Paroquial).
Deixa filhos do primeiro casamento, Rinaldo Ferreira e Rejane Ferreira (que moram no Rio de Janeiro) e do segundo casamento, Enéas Ferreira (que mora em Belo Horizonte).
Faleceu aos 86 anos de idade de velhice NA SUA QUERIDA, AMADA E DECANTADA, EM PROSA E VERSOS, CAMBUQUIRA.
Na foto abaixo, um dos personagens é Benedito, conforme nos enviou uma parente sua do Rio.

Veja no texto sobre nosso futebol uma foto com Benedito Ferreira vestido à caráter no famoso jogo de homens contra mulheres. (clique!)


Texto elaborado pelo filho Enéas Ferreira.
Revisado por Meimei Corrêa.
Editado pelo Adm.do Blog.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Trabalho comprometido.

Aos internautas que acessam este blog gostaria de esclarecer que tenho tido alguma dificuldade no levantamento de dados daqueles que merecem pertencer ao elenco que propus levantar. Atualmente não resido em Cambuquira e alguns desses textos foram produzidos com a ajuda de algumas pessoas, como José Afonso,"meu primo", outros são frutos de busca na minha memória.
Espero que no mais breve possível eu possa postar aqui mais histórias desses cambuquirenses que marcaram a sua existência em nossa cidade, alguns deles que deveriam ser seguidos nos seus exemplos de amor à cidade, algo que está faltando nos dias de hoje.

Gostaria de publicar as histórias da Família Silva e do patriarca que veio do norte para fundar na cidade o Hotel Silva, Dr. João Silva, cujo filho de mesmo nome foi prefeito da cidade. A história de Francesco Caminada Margotti, médico de história marcante e muito amor à cidade. Aliás, deste último tive a promessa de uma de suas filhas, um resumo da vida que parece já ser o objetivo de um livro. Moupir Monteiro, jornalista paulista que adotou cambuquira, também deixou um legado de textos e histórias. E, mesmo cidadãos do povo: José Justino e Manoel Pão, carroceiros que ajudaram construir esta cidade. E, vai daí por diante. Mas, preciso da ajuda de todos...
Sei que cada família tem a sua história. Então, porque não compartilhar isso com outras pessoas?

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Zé Queijinho.

Recorte tirado do Informativo da Câmara Municipal de autoria de Paulo Felisberto Ferreira (vereador2005/ 2008)
Posted by Picasa

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Solicito ajuda para este trabalho.

Se alguém tem fotos ou conhece alguém que as tenha e que possa ceder ao blog, favor entrar em contato com este administrador pelo site ou pessoalmente.
Algumas pessoas de destaque na comunidade não estão aqui citadas porque não tenho foto e mais dados para postar.
Se você sabe de alguma história interessante da cidade, envie que publicaremos com a citação da autoria.
Este é um trabalho sem fins lucrativos, nem político, e visa registrar nossa história como ela é.

Será que alguém tem uma foto do Sr. Venâncio, aquele que construiu a Igrejinha da Lavra?
Do Sr. Benedito Ferreira, Sr. Kalil Abdo Acary, Vicente Manes, José Eduardo, ....entre outros que foram pessoas de destaque na comunidade?

GERALDO GONÇALVES DOS REIS.

Este senhor de camisa xadrez é Geraldo Gonçalves, que se destacou principalmente como oleiro naqueles bons tempos quando surgiu na cidade o Bairro Regina Coeli. Os tijolos que fabricou ainda hoje estão aí nas paredes de muitas casas da cidade, principalmente no citado bairro onde ele tinha a sua olaria.

Geraldo Gonçalves é mais um dos personagens que fizeram os 100 anos de Cambuquira.

Ao seu lado, o companheiro das Folias do Divino, Geraldo Silva, o artista já citado neste blog, à direita o jovem Geraldo, quando se casou com Belinha.

Sua história: O oleiro Geraldo Gonçalves, como ficou conhecido, nasceu em 19 de agosto de 1915 na zona rural do Canta Galo, em Cambuquira. Filho de José Gonçalves da Silva e Maria Brígida do Espírito Santo, casou-se em 28/09/1940 com Isabel Umbelina Nogueira dos Reis, com quem teve 10 filhos, cinco homens e cinco mulheres. Ao longo de sua vida exerceu diversas profissões, entre elas as de sapateiro, seleiro, ferreiro, carpinteiro, oleiro e pedreiro, além de produtor rural, sua origem natural. Nessa área especificamente trabalhou como meeiro e arrendatário de glebas onde produzia arroz, feijão entre outros alimentos que comercializava para angariar recursos para criar a grande prole.
à esquerda, o casamento; abaixo: com a família e com os pedreiros.

Como pedreiro deixou várias casas construídas no Bairro Regina Coeli, onde ele tinha a sua olaria na divisa com o Sítio Riacho Doce. Trabalhou no traçado deste mesmo bairro ao lado do Engenheiro Gabriel Flávio Carneiro (Dr. Biloti) contratados por Dr. Ordomundi Gomes Ferreira, proprietário daquelas terras da antiga Fazenda do Retiro. Além dessa olaria do bairro, Geraldo Gonçalves ainda teve um outro na zona rural do Miranda, onde produziu muitos tijolos para a construção e expansão da cidade que tanto amava.

Abaixo: foto da Folia do Divino de frente a sua residência

Amante das tradições vindas dos antepassados, nunca deixava de participar das famosas Festas do Divino, conforme se pode ver na foto de uma folia de que ele era participante.

Geraldo Gonçalves faleceu em 31 de agosto de 1993 aos 78 anos de idade

.

Acima fotos das comemorações dos 50 anos de casado e abaixo com o filho Beto.

Este, sem sombra de dúvidas, ajudou a construir os 100 anos que a cidade completou neste ano.
Nota: História e fotos enviadas pelo colaborador José Afonso da S.Lemes, dados obtidos com sua filha Fatinha.

terça-feira, 26 de maio de 2009

MARTHA ANTIERO.

A nossa eterna professora de português, que ela sabia ensinar como ninguém, nos deixou um vazio com a sua partida para o andar de cima, como diria o apresentador de tv.
A sua competência indiscutível marcou toda uma geração de alunos dos anos 60 e 70 no Ginásio Estadual Clóvis Salgado em Cambuquira.
A sua maneira especial de ensinar interpretando e inventando histórias era o ponto forte da sua docência, fator esse marcante que registramos indelevelmente nas nossas memórias.
Nas suas aulas, nenhum aluno ficava disperso e divagar em pensamentos. Pois, ela conseguia prender a atenção. Era exigente sem ser intransigente. Poucos não aprendiam com ela. E, se fizeram sucesso na vida, têm que agradecer a essa grande educadora.
Sabia dar valor aos estudantes e para isso tinha um caderno que ela intitulou como o"Livro de Ouro" onde registrou as melhores redações dos seus alunos.
Casou-se pela primeira vez com Francisco Pedalino Costa com quem teve dois filhos. Mais tarde, separada judicialmente, casou com Afrânio Lemos Siqueira, um dos sócio do antigo Hotel Empreza com quem teve uma filha.
Poeta e prosadora deixou algumas obras que infelizmente muitos cambuquirenses nem chegaram a conhecer.
A minha professora eu dedico com carinho esta página que escrevo, com muito receio de que ela lá do alto onde está, venha descobrir algum erro e me puxe as orelhas à noite.
Essa é uma pessoa que sem deixar obras visíveis na paisagem da cidade nos deixou um legado muito mais valioso, a cultura. E, por isso reservo para ela com muita gratidão em meu nome e em nome de outros tantos seus ex-alunos, um especial lugar entre os personagens que fizeram a história de nossa cidade.
descrição: É a obra cuja narrativa, flui em ritmo ligeiro, por vezes mesmo burlesco, mas que traz o travo amargo da crítica a uma estrutura social que, cruzando os braços, limita-se a sonhar com a volta ao passado, ou com a chegada de um homem providencial que resolva sozinho todos os problemas;


Descrição da obra no site Estante Virtual.


Alem dessa obra, ela escreveu ainda "A rede"(Ed. Record) à venda no sebo do Estante Virtual.


Ambos os livros editados pela Ed. Civilização Brasileira - Rj. (série coleção Vera Cruz).
Nota:Solicito aos seus ex-alunos que tiverem fotos, fatos e histórias dessa nossa grande professora que envie para este blog para que a homenagem seja mais fiel ao que ela merece.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Sérgio Mario Regina

Natural de Varginha - MG, formou-se engenheiro agrônomo em 1956 pela Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz", USP, Piracicaba - SP. Bom futebolista que era, jogava no flamengo de Varginha, mas também atuou em clubes em Poços de Calda e de Piracicaba. Na equipe de futebol da ESALQ era conhecido por "Ponce de León", exímio meia-direita do São Paulo Futebol Clube da época. Iniciou sua vida profissional como extensionista da EMATER - MG onde ocupou o cargo de coordenador de Hortaliças e posteriormente de Olericultura, Participou do 1º Curso Intensivo de Olericultura, (Projeto ETA - 55) promovido pela então Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG), em Viçosa. Dos participantes deste curso nasceu a idéia de formar a Sociedade de Olericultura do Brasil. Na EMBRATER, coordenou o Programa de Horticultura (PROHORT) dando ênfase a capacitação/reciclagem dos extensionista de todo o Brasil, convocado pelo então Ministro da Agricultura Alysson Pauinell, como consultor da Secretaria Nacional de Produção criou e foi titular da Gerencia de Horticultura quando implementou os programas Nacionais de Produção e Abastecimento de Alho. Batata, Cebola e Maçã que foram também apoiados pelos cinco ministros sucessores. Para a implementação de tais programas contou com a colaboração dos engenheiros agrônomos Tarcísio da Silva Siqueira e Ilto Antonio Marandini da EMBRATER e João Alves de Menezes Sobrinho e Nozomu Makisuima da EMBRAPA e realizou vários eventos como "raids", cursos, mostras e outros, pelos diversos Estados do pais, principalmente naquele tradicionais de tais espécies de hortaliças. Incentivou a criação de produtores locais, regionais, estaduais e nacional de alho, batata, cebola e maçã. Sérgio Regina não tem atuado somente na área olericola. Preocupa-se com a conservação dos recursos naturais, principalmente da água. Dessa preocupação resultou a criação do Comitê da Sub-Bacia Hidrográfica do Rio Verde. Atualmente desenvolveu o "raid" Colha Chuva Para Produção de Água, programa desenvolvido pela EMATER - MG e EPAMIG donde trabalha desde 1994 após 35 anos dedicados à Extensão Rural. Todas as atividades desenvolvidas pelo Sérgio eram e são direcionadas para o bem comum da sociedade. Tanto isto é verdade que recebeu 84 honrarias de reconhecimento público. Entre elas, foi o primeiro ganhador co Prêmio Marcílio de Souza Dias, da Sociedade de Olericultura do Brasil. (Texto Nozomu Makisuima )
Fonte Associação Brasileira de Horticultura.

Sérgio Regina faleceu no dia 11.01.2009, sem ver as festividades dos 100 anos da cidade que ele adotou de corpo e alma. (*)
Há alguns anos com a saúde debilitada, uma ou mais intervenções no coração, algumas hérnias e problemas no intestino que, apesar disso não lhe tiravam o bom humor presente nas suas piadas de sempre, até com o seu estado de saúde.
Apaixonado por nossa cidade desde os tempos de menino quando frequentava a Estância e onde seus pais, Braz Regina e Maria Foresti, adquiriram uma casa onde passavam todas férias e fins de semana, acabou-se por se tornar um verdadeiro cambuquirense.
Defensor do meio ambiente, defensor das “matas ciliares”, expressão criada por ele, teve papel importante na defesa do meio ambiente não só na região como também em todo o Brasil. Assim o seu nome passou a ser conhecido até no exterior.

Em Cambuquira, Dr.Sérgio se destacou na defesa do nosso patrimônio ecológico, entre eles, a Mata da Empreza (**), ameaçada de destruição pela ocupação desordenada no fim da década de 80, a reserva Santa Clara com as fontes que abastecem a cidade e a necessidade de se implantar na cidade um tratamento de água e esgoto. Na região, destacou-se pela defesa do Rio verde e toda sua bacia, importante veia aquática de abastece diversas cidade, inclusive Varginha, sua terra natal.
Aproveitando os dotes da cidade, atraiu vários eventos que ocupavam os espaços ociosos dos hotéis, divulgando o turismo e as belezas dessa Estância Hidromineral que ele tanto prezava.

Dr.Sérgio Regina merece, sem sombra de dúvidas, um lugar de destaque junto aqueles que trabalharam pela cidade nesses 100 anos que ela completou no último dia 12 de maio/2009.


1)Lançamento da biografia do Engenheiro Agrônomo e Extensionista Sérgio Mário Regina é parte das comemorações do 59º aniversário da EMATER-MG

2) texto da Associação Brasileira de Batatas

3)livro: "Sérgio Mário Regina: Muito além da semente"

É bom que fiquemos com o seu sorriso, presença sempre constante na sua postura ao encarar os fatos, quando sempre tinha um trocadilho para ilustrar.
Dr.Sérgio era preocupado com a água das torneiras, que apesar de nascer dentro de um reserva florestal nativa, ainda não tinha tratamento, fato esse que deve ser resolvido pela nova administração já que a Câmara Municipal aprovou a criação do SAE e não aceitou a implantação da COPASA na idade. Ele até brincava: a cidade com a melhor água mineral do mundo ainda não trata a água de suas torneiras!...
Foto do lançamento do seu livro acima descrito.

(*)Seu corpo foi cremado em Belo Horizonte na manhã do dia 12/01/2009.
(**) Mata da Empreza é o nome original da mata nativa existente perto do Parque das Águas.

Assista o vídeo do lançamento de suas cinzas no Rio Verde, de que ele era o maior defensor!