domingo, 29 de março de 2009

EUZÉBIO FERREIRA.

Clique na foto para ampliar!

Euzébio Ferreira e seu sobrinho Télio (neto).

Quem o conheceu conta que ele era o mestre do humor. Por causa disso, recebeu de Ary Barroso, com quem firmou laços de amizades, um convite para atuar no rádio.
Euzébio, já nos últimos anos da vida, resolveu voltar à sua terra natal depois de ter morado no Rio. Cambuquira sente hoje a falta desses personagens que, sem sombra de dúvidas, a tornavam mais engraçada e feliz. (Foto enviada por sua sobrinha Solange Ribeiro.)

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quinta-feira, 26 de março de 2009

ARMINDO COSTA - Fotógrafo.


Armindo Costa ao se dedicar à fotografia naqueles tempos dos primeiros anos desse lugar como cidade, nem imaginava que ao lado de Thomé Brandão e mais tarde com Manoel Brandão, seriam aqueles que registrariam a história de nossa cidade. Thomé, que fora se tornou prefeito, como mais tarde o seu filho Manoel também fez o registro escrito. Armindo se encarregou de registrar a cidade através das lentes de sua câmera.

Encontrei essa foto no livro "Memórias" do Pe.Antônio Ferreira, um eterno apaixonado por Cambuquira que lá na Bahia escreveu, editou e publicou sua obra dedicada à nossa terra, nela incluindo as pessoas mais importantes da época. Entre elas Armindo Costa.

Ao ver parte do acervo que deixou, podemos dizer que a maior parte dos registros fotográficos da Estância Hidromineral de Cambuquira são de sua autoria. E, é desse homem, cuja história nos passa pouca ou quase nenhuma informação, as principais lembranças dos bons tempos da Estância.

Armindo Costa, era filho de Manoel Rodrigues Costa, o Capitão Neco e homem de prestígio na cidade, e Noêmia da Silva Lemes. Seu pai foi o autor e encarregado do primeiro trabalho de captação das águas que abasteciam a cidade, provavelmente das terras de Cláudio Amâncio da Silva Lemes.

Por se falar em "Silva Lemes", sues pais eram parentes próximos. Pois, a mãe de Armindo se chamava Ana Rita da Silva Lemes ( filha de Antônio Joaquim da Silva Lemes e Feliciana Maria de Jesus) e Noêmia sua esposa, filha de Honório da Silva Lemes e Isabel da Silva Lemes, sendo Isabel irmã de Ana Rita, esposa do Cap.Neco, seu pai. Seguindo ainda a sua árvore genealógica, ambos descendiam de Antônio Joaquim, mentor da construção da primeira igreja da cidade e do seu irmão José Vicente, ambos filhos de Vicente da Silva Leme, irmão das três irmãs solteiras da história de Cambuquira; Ana, Joana e Francisca da Silva Gularte (filhos de José Vicente da Silva Leme e Rosa Maria Gularte ou Goulart, conforme alguns registros.)

Voltando à família Armindo e Noêmia, o casal teve 4 filhos: Costinha que acreditamos ter se chamado Armindo, além de Jandira, Wanda e Irma, as três formadas normalistas e por isso professoras na cidade.

Armindo Costa (ou Armindo Lemes Costa) era mesmo um artista da fotografia. E, mesmo com os escassos recursos técnicos da época, conseguiu elaborar um acerto impressionante,que infelizmente grande parte foi perdida no tempo. Mas, pelo pouco que tempos, arrecadados de terceiros ou copiados de arquivo da Prefeitura Municipal, nos proporcionam uma boa viagem através dos tempos.
Através de suas fotos, ele mostra ter sido um eterno admirador das belezas naturais da cidade que ele tentou focalizar pelos mais variados ângulos.
Na foto ao lado Irma e Jandira em cada lado do grupo.

As filhas do casal formaram-se como normalistas, a principal alternativa para as moças da época, fato esse que as fez fundar na cidade uma das primeiras escolas particulares do lugar(Foto acima)
Depois, quando foi criado a escola pública passaram a prestar os seus predicados para o Estado. Wanda, senhora já um pouco madura, casou-se mas na viagem em "Lua de Mel" acabou por falecer num acidente provocado por uma tromba d'água na Serra das Araras (anos 60) no Estado do Rio de Janeiro. Irma se casou e foi morar no Recife.E, pelo que parece, não deixou descendente, voltando à Cambuquira onde passou a lecionar francês do Colégio Estadual Clóvis Salgado. Jandira casada com "Quinzoca" deixou o filho "Renato", único herdeiro da família, que infelizmente não reside mais em nossa cidade. "Costinha", o filho mais velho, faleceu precocemente, o que contam os mais velhos, abalou muito a família que nunca se conformou com essa tragédia.
Na cidade resta agora a imponente casa vazia da esquina da Marechal Deodoro, subida da Matriz, restaurada e bela como testemunha da passagem dessa gente e de um nome que a história de Cambuquira nunca vai esquecer.

Armindo Costa sempre estará presente, principalmente na vida daqueles que se aventuram nessa viagem no túnel do tempo. Quer experimentar? Olhe na foto abaixo! Duvido que não tenhavontade de penetrar nessa janela, uma foto do nosso coreto quando o velho hotel ainda se chamava Empreza, hoje Trilogia, e nem era tema de filme de assombração, quando as palmeiras imperiais ainda adolescentes ainda miravam o infinito em busca do sol, ornamentando o cenário.


Na revolução, lá estava ele com a sua máquina fotográfica registrando a história para posteridade.
Essa era a Cambuquira que queríamos hoje, com todos os seus predicados, no sentido bom da palavra, imagem da prosperidade, cenário de alegria ou tudo mais. Graças a Armindo Costa ainda temos o privilégio de ver tudo isso nem que se seja pela fotografia e com ela sonhar que nossa cidade ainda consiga sair do poço fundo que foi jogada.
Ao lado foto das tropa da revolução de 30/32 (de autoria de Armindo Costa) quando esta estava em manobra no centro da cidade, preparando-se para enfrentar as tropas paulistas que já se estavam em Campanha, conforme nos informou a historiadora Angélica Andrès, daquela cidade.

A outra foto uma vista parcial do CTC tirada do parque das águas.

quarta-feira, 25 de março de 2009

COMENDADOR INÁCIO GOMES MIDÕES

Talvez seja esse o verdadeiro pai da cidade que hoje conhecemos como "Cambuquira".Conforme Biografia levantada pelos Historiadores Antônio Casadei e Thalita de Oliveira Casadei:

"Inácio Gomes Midões foi físico-mor em Lisboa e aprovado em medicina, veio primeiramente, para São Paulo, a convite de José Bonifácio, onde clinicou por algum tempo, seguindo depois para a Vila da Campanha da Princesa, na primeira década do século XIX, onde se estabeleceu e passou a aguardar sua nomeação de Cirurgião da Câmara, em 1818. Como não saísse a confirmação dessa nomeação, teve Midões, enquanto isso, de aceitar a contratação para exercer o mesmo cargo na Vila de São João del-Rei, cargo que desempenhou de 1819 a 1822. A partir de 08 de novembro de 1822, como sempre foi o seu desejo, Dr. Inácio Gomes Midões fixou-se, definitivamente, até a morte, na Campanha, aqui vivendo com sua família, longos e proveitosos anos, como médico competente e político de grande prestígio."

Na nossa vizinha cidade-mãe, Midões, como passou para história, foi também vereador, conforme cita Manoel Brandão em seu livro "Cambuquira Estância Hidromineral e Climática". E, foi nesse cargo político aliado à sua função na medicina local que se empenhou em defesa das Águas Virtuosas de Lambari e depois, com o descobrimento das nossas fontes, passou a mirar essa nossa dádiva de Deus. Então em 1834, foi de sua iniciativa a construção de uma estrada que ligasse a pequena vila das fontes que se formava à sede do município, na época "Campanha". Desta forma, a frequência que já existia com as notícias das tais águas miraculosas, aumentou. Consequentemente, novas casas e novas pousadas foram erguidas e a velha estrada que chegava ao brejo foi se transformando no que é hoje a Av. Virgílio de Melo Franco (Rua Direita, para os íntimos).Esse não foi o ato oficial de criação ou de reconhecimento do local como uma vila ou coisa semelhante, o que viria bem mais tarde, em 1872 nascia o distrito que depois, em 12 de maio de 1909 se transformou no município com a nomeação, em 4 de junho do mesmo ano, de Raul de Noronha Sá, como seu primeiro prefeito.

Fontes:

1)Biografia transcrita de originais datilografados, inéditos, pesquisados pelo historiador Antônio Casadei e cedidos ao Centro de Estudos Campanhense Monsenhor Lefort, após seu falecimento em Petrópolis, em 07 de fevereiro de 1997, pela sua esposa Thalita Casadei, professora de História e historiadora, residente em Niterói/RJ.
2)Livro Cambuquira Estância Hidromineral e Climática. Autor Manoel Brandão - IBGE-1958 (pag.15 e 81)

DR MANOEL DIAS DOS SANTOS BRANDÃO.

Dr. manoel Brandão foi o verdadeiro modelo do médico de família. Depois dele nunca mais houve em Cambuquira alguém que militasse da mesma forma, sem visar lucros ou riqueza, quanto mais poder ou louros políticos. Fazia isso por amor à profissão, mas muito mais por amor à cidade onde foi criado e por isso considerava-se cambuquirense.
As pessoas mais idosas da cidade que o conheceram dizem que realmente foi um fiel representante dos mandamentos hipocráticos. Durante a maior parte de sua atuação como clínico geral na cidade não fez fortuna como os seus colegas de hoje. Não fazia distinção entre ricos e pobres. E,qualquer que fosse o paciente, lá estava Dr. Manoel à beira do leito. Às vezes virava a noite. Podia ser na cidade, na roça ou no hospital. Por falar em hospital, essa foi a obra de que ele foi mentor e realizador.
No blog da Família Lemes, pode-se conhecer parte dessa sua dedicação:
"Por ocasião da enfermidade de José Lifonso, ele passou a noite inteira ao lado do seu paciente, amanhecendo lá na roça (lobos) longe do conforto do seu lar."
Assim confidenciou uma das filhas desse senhor.

Numa determinada fase de sua vida, talvez pressionado pelas familiares, planejou ir embora. Pois,até aquele momento não tinha nem a sua casa própria e residia numa casa de propriedade do Estado. Tentou comprar um terreno na av. João de Brito Pimenta para construir a sua tão sonhada casa e não conseguiu.
Sabendo do seu projeto de se mudar de Cambuquira, líderes da comunidade se empenharam e conseguiram comprar o terreno desejado presenteando-o ao nosso maior cambuquirense. Depois disso, empenharam-se na construção do prédio de acordo com as necessidades daquele nobre médico. E, foi assim que aquele menino que viera para nossa cidade aos três anos de idade não conseguiu mais deixar a terra que ele adotou e que também o efetivou como filho.
Uma das coisas interessantes dessa história é que apesar de clinicar literalmente de graça, ou às vezes tendo como honorários até "saca de milho", quando competia com o adversário(não inimigo!) André Bacha, Manoel Brandão perdia. A máxima era que Dr. Manoel dava a consulta e André dava o remédio, e com isso ganhava o outro.
Dr. Manoel também se destacou como o maior historiador da cidade. É dele e de seu pai, Thomé Brandão, segundo prefeito da cidade, a obra mais completa sobre nosso município, suas riquezas, as raízes de seu povo e os valores medicinais de nossas águas. Editado pelo IBGE em 1958 "Cambuquira Estância Hidromineral e Climática" se transformou numa "enciclopédia cambuquirense", até hoje referência e fonte de pesquisas até em universidades.


No quadro acima, D.Olga Helena , artista do Rio de Janeiro e frequentadora desta Estância, prestou justa homenagem a esse cidadão merecedor de todos os elogios em seu calendário sobre Cambuquira em 2008. No trabalho também participou a pesquisador e escritora cambuquirense Suely Vilhena com alguns textos que serviram de base para esta nota sobre o nosso inesquecível médico.

Leia mais sobre esse cambuquirense nas informações enviadas por Marília Noronha, sua sobrinha (clique aqui e conheça os planos de Manoel Brandão para Cambuquira).


Hoje assistindo o estágio em que chegou a outrora famosa Estância, com o velho Hotel Elite e outros a servir de cenário de filme de assombração, ficamos pensando como faz falta um Dr. Manoel em nossa terra!...
PARA VER MAIS PERSONAGENS E FOTOS, Clique abaixo em "Postagens mais antigas".

NECO DA JARDINEIRA.


Manoel Almeida Santos, o Neco da Jardineira. Manoel Almeida Santos, filho de Antônio Almeida (Santos) e Maria Gertrudes dos Reis (a Mariquinha) foi casado com Maria Aparecida [Almeida] filha de Antônio da Silva Passos e Amélia (ou Amália) da Silva Lemes. Com sua esposa, teve 4 filhos: Aldair Almeida, Maria Amélia Almeida, Manoel Almeida Filho e Antônio José Almeida Santos. Fora do casamento, teve 3 filhos noticiados, e outros tantos que "o povo diz" mas ninguém sabe quem são...Foi alfaiate (junto com seu irmão Antônio "Japão" Almeida) e padeiro quando jovem,, e depois de casado, comprou um caminhão.

Continue lendo mais essa história de um dos 100 que fizeram os 100 anos de Cambuquira. (clique aqui!)

quinta-feira, 19 de março de 2009

CHARLES BERTHAUD, o cientista das águas.

Outro personagem que contribuiu muito por Cambuquira, além da análise das águas para o qual foi contratado pelo governo, foi Charles Berthaud.Apaixonado pela pequena vila, o francês a adotou como sua terra e por aqui resolveu construir sua casa, demonstração de sua disposição de ficar, como aliás ficou até a sua morte.

Conforme conta a história, o médico e cientista passou também a atender parte do grande contingente que vinham às fontes à procura de curas para os seus males.
Em seu laboratório desenvolvia porções fitoterápicas tendo as águas medicinais como base para os seus medicamentos. Assim, a fama do médico e as qualidades medicinais das águas percorreu distâncias atraindo cada vez mais pessoas.
Talvez, preocupado com a localização do cemitério no alto da colina próximo ao parque das águas, o que poderia contaminar os lençóis freáticos, comprou com recursos próprios um grande terreno e o doou para montagem de novo campo santo.

Do passado conseguimos trazer até o presente aquele sobrado imponente no alto da Fazenda do Retiro, de onde se podia ver os dois lados daquela colina, assistir o nascente e o por do sol, paisagens nunca vista igual na sua França natal.
Dr. Charles Berthaud quando escolheu aquele lugar para construir sua casa, levou tudo isso em consideração.


Para edificar a casa, mandou vir da França quase tudo ou o que podia. Tudo ali era de primeira, desde as telhas, as janelas, as escadas, o assoalho de pinho-de-riga que ninguém conhecia por essas paragens. Todo o conforto ali teria. A água pura e cristalina bombeada de um poço profundo( que ainda existe no terreno dos Siebert)servia a cozinha, banheiro e o laboratório. Para não poluir os lençóis d'água todo o esgoto da residência era tratado em fossas cépticas distintas para cada setor(residência e laboratório). Um jardim de rosas e trepadeiras ornamentavam o lugar, uma das quais cor de rosa sobreviveu aos tempos e foi arrancada nos anos 60 para construção de uma casa no bairro, além das essências aromáticas, medicinais, frutas e outras plantas aclimatadas completavam o pomar da chácara onde hoje é parte do Bairro Carioca.

Depois de um estafante dia, quando atendia várias pessoas que apareciam na cidade em busca da cura pelas águas minerais em conjunto com as poções químicas que fazia, o médico se sentava na varanda e contemplava o sol ardente e vermelho a se por pelos lados da cidade de Campanha. Nas noites de céu aberto lá estava ele na varanda a observar as estrelas, os planetas e a lua que vagava pelo infinito, maravilha que mais tarde encantou outro estrangeiro, Sigmund Szabó, que ali perto iria nos anos 60 tentar construir o primeiro observatório astronômico da região.

No dia seguinte acordado pelo cantar dos galos, abria a janela e via o sol nascendo entre as árvores da colina da Mata do Parque provocando o soprar de uma brisa serena com cheiro de mato, mostrando que o lugar receber as melhores dádiva de Deus.

Charles talvez pensasse que aquele lugar seria uma grande e bela cidade, pois isso era o que se previa para aquela a vila em formação desde os fins do Século XIX e começo do Século XX.

Não se sabe porque, existia ali perto no que hoje é a esquina da rua que leva o nome do médico cientista com a Av. Princesa Isabel, no Bairro Carioca, um pequeno cemitério descoberto por volta dos anos 60 por ocasião da construção de uma casa, e nunca mencionado na história da cidade. Provavelmente, ali eram enterrados alguns dos desafortunados pacientes que não conseguiam a procurada cura ou se tornou a alternativa que ele arranjou para não usar mais o cemitério que ficava atrás da Igrejinha dos Lemes.

Ainda com relação a esse cemitério desconhecido, o que talvez seja uma prova de não ter sido um lugar qualquer, existia uma “trepadeira de flores cor de rosa” que eu, o narrador dessa história, quando menino tentou por diversas vezes arrancar para levar de presente para mamãe!.. Ainda bem que não usei nenhuma ferramenta que pudesse atingir o esqueleto ali soterrado!...
Montagem (acima) e descrição ainda desconhecidas. Sabe que fez?

Charles Berthaud, antes de vir para Cambuquira, trabalhou na sua terra fazenda a captação das fontes de Aix-Les-Bains, em Saboia, fato que fez com que o Governo, através de uma empresa a Companhia União Industrial dos Estados do Brasil, o procurasse para essa nova empreitada.
Aceitando essa nova empreitada, nem imaginava que seria uma viagem sem volta e que da pequena vila nunca mais sairia. Pelo menos isso não aconteceu pela sua vontade. Pois, os seus restos mortais foram levados por seus filhos para a terra em que nasceu.

Berthaud, conforme contam Thomé e Manoel Brandão, ficou encarregado de fazer as análise das fontes e procedeu a captação das quatro principais: Regina Werneck(mais tarde chamada também de Fonte Maria) ou Gasosa, Fonte Fernandes Pinheiro ou Ferruginosa, Fonte Comendador Augusto Ferreira ou Magnesiana e a mais famosa na época conhecida como Bica de Prata ou Roxo Rodrigues (hoje "Barracão" que ficou prejudicada com uma má perfuração que fez com perdesse um pouco do gás natural).

quarta-feira, 18 de março de 2009

OS IRMÃOS LEMES



"__Mas onde estão esses irmãos Lemes? Estariam lá dentro rezando?"


Perguntará um irônico observador desta foto. Não o culpo pela ignorância sobre a história. Afinal, poucos são os cambuquirenses de hoje que conhecem a verdadeira história dessa igreja(Se é que sabiam da sua existência!) e tão pouco ouviram falar desses irmãos. Culpa também da ignorância daqueles que decidiram o que deveria ou não repassar para novas gerações."

Os Irmãos Lemes foram Antônio Joaquim da Silva Lemes, Tomé da Silva Lemes, José Vicente da Silva Lemes e João Evangelista. Destes, na história escrita por Manoel Brandão com base nas pesquisas de José Guimarães neto de dois dos citados cidadãos, há o destaque da liderança de Antônio Joaquim, um dos cidadãos descendente dos primeiros proprietários deste chão, José da Silva Leme e Rosa Maria Goulart (Gularte).



Antônio Joaquim, desejando que o lugar tomasse corpo de cidade transferiu-se com a família para nova vila que se formava e tomava forma à partir da estrada com ares de rua que hoje é a Avenida Virgílio de Melo Franco, ou Rua Direita como é popularmente conhecida.



Nesta rua construiu o primeiro sobrado do lugar, com cômodo comercial no primeiro andar, conforme de pode ver numa das primeiras fotos deste lugar. Essa sua casa ficava no que é hoje a esquina dessa rua com a João Silva, mais precisamente onde hoje se localiza a agência da Caixa Econômica Federal.



Feito isso, tratou de edificar com a ajuda dos irmãos e também com o auxílio de outros habitantes , o primeiro templo religioso do lugar, como de costume no alto da colina onde se formava a vila.

Participaram dessa obra, ofertando recursos próprios e até trabalhando na obra, além de seus acima citados os senhores: Casimiro José da Costa* e os irmãos Manoel e José Martins Ribeiro*, parentes do líder dessa empreitada.



Nessa capela, primeiro mensalmente e depois mais regularmente, conforme consta no livro "Cambuquira, Estância Hidromineral e Climática",*as missas e outras cerimônias religiosas eram ministradas por um sacerdote vindo de Campanha, sede do município naqueles tempos. O resto do tempo era usado pelos próprios habitantes para seus terços, além das festividades dedicadas ao padroeiro já escolhido naquela época, S.Sebastião.



Depois da construção da Igreja, mais tarde construiu-se atrás desta um cemitério que foi desativado com a criação do atual em terreno doado por Charles Berthaud (aliás o primeiro a ser sepultado nesse lugar). Acredita-se que essa também tenha sido uma obra desse grupo de "cambuquirenses".



Mas,a história foi ingrata com esses cidadãos. E, a não ser o que foi citado na referida obra, nada mais se falou dessas pioneiros. Nem nas nossa primeiras informações das origens do município eles são citados. Restringindo-se a história oficial à história das três irmãs solteironas: Ana, Joana e Francisca da Silva Goulart, últimas proprietárias de parte do que hoje é a zona urbana central da cidade, e dos três escravos que teriam recebido uma porção de terras onde hoje se localiza o Parque das Águas. (A sede da fazenda ficava onde hoje é o Hotel São Francisco.)



Essas senhoras eram tias dos Irmãos Lemes, filhos de Vicente da Silva Leme (ainda sem o "S"), primogênito da família que como de costume recebia o sobrenome do pai, restando às filhas mulheres herdar o apelido da mãe ou um misto entre parte da denominação da família do pai e da mãe, como aconteceu com essas nossas "tias-avós". Inclusive isso induziu a um erro histórico da tal citação oficial quando se diz que a antiga Fazenda Boa Vista pertencia à "Família Silva Goulart", o que na realidade deveria constar "Família Silva Leme".


Não se fala em descendência dessas senhoras já que presumidamente faleceram solteiras como nos informa José Guimarães na sua obra As "Três Ilhoas", dados também aproveitados pelos autores do livro de Cambuquira: Dr.Thomé e seu filho Dr.Manoel Brandão, ex-prefeito e médico famoso na cidade.



As "Irmãs Goulart" receberam homenagens através da denominação de ruas no Parque S.João, enquanto Vicente e fihos que tanto lutaram para que aquele arraial se tornasse uma vila, para depois virar cidade, ficaram esquecidos.


Estes homens são membros do rol daqueles que fizeram "Cambuquira", cuja história resgatamos aqui para que se faça justiça depois de tantos anos.


A foto abaixo é de 1889 e dos primeiros tempos da Vila

Clique para ampliar e ver os detalhes, inclusive a provável casa de Joaquim Antônio

* Fonte: Cambuquira Estância Hidromineral e Climática - Drs. Thomé E Manoel Brandão - Ed.IBGE - 1958.



domingo, 15 de março de 2009

O RESGATE DA HISTÓRIA NOS 100 DOS 100 ANOS.

A cidade deve muito a muitas pessoas que passaram por ela e deixaram alguma contribuição.
Vamos resgatar esses valores humanos para que a história lhes dê o devido valor. Pois, uma comunidade existe como povo quando tem referências históricas para passar às novas gerações.

Participe! Conte alguma história que você sabe. E, se tiver uma foto, mande para este blog. Ajudem

Dia 12 de maio de 2009 completamos nosso primeiro centenário.